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PALAVRA PARA A MISSÃO O CIAM propõe, semanalmente, a leigos, religiosas e sacerdotes um caminho de reflexão sobre a liturgia dominical em chave missionária. Oferecem-se elementos para uma meditação missionária, pessoal ou comunitária, sobre a Palavra de Deus que, de modo constante e surpreendente continua a iluminar, reforçar e sustentar o caminho missionário da Igreja, para a vida do mundo.
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O Reino de Deus, Reino de um Deus crucificado, Que
não se
deixa derrotar
Solenidade de CRISTO REI do universo XXXIV Domingo do Tempo Comum Ano B – 26.11.2006
Daniel 7,13-14 Salmo 92 Apocalipse 1,5-8 João 18,33-37
Reflexões Um modo estranho de se proclamar Rei! Na sua paixão, em diálogo com o juiz romano (Evangelho), tem as insígnias da realeza: uma coroa na cabeça, um ceptro na mão, um manto de púrpura, as saudações formais dos soldados... Todos são sinais de um rei derrotado! Nesta altura já todos estão certos disso, os chefes religiosos, a gente na praça, os soldados romanos: pensam que venceram, que o destruíram. Pilatos fica perplexo perante a serenidade daquele homem que em tais condições continua a declarar-se rei, mesmo se de um reino que não é deste mundo. Pilatos não consegue entender esta linguagem, e muito menos o que ele diz sobre a verdade (v.36-37). As suas perguntas processuais têm uma carga política: para ele, é suficiente saber que aquele tipo, tão desfigurado, não constitui uma ameaça para o império de Roma.
Será o mesmo Pilatos, representante do império mais poderoso do mundo, a reconhecer a realeza de Cristo, com aquela placa fixada na cruz: “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus” (Jo 19,19). Jesus encarna o verdadeiro “filho do homem”, aquele personagem misterioso – prelúdio de um novo povo! – anunciado pelo profeta (I leitura), que recebe de Deus o poder e o reinado sobre todos os povos, um reino “que não será destruído” . O povo de Daniel, naquele momento, experimenta a opressão, mas não renuncia aos sonhos de um futuro grandioso. O povo do novo Reino terá como ponto de convergência a Cristo. Trespassaram-no, mas é Ele o Alfa e o Ómega (II leitura).
Jesus não renuncia ao seu título de Rei, mas esvazia-o das coisas vãs dos reinos deste mundo, e enriquece-o com novos conteúdos, evangélicos: quem é o primeiro há-de servir os outros; não faz aliança com os ricos e os poderosos, mas prefere estar ao lado dos últimos; não dá ordens, mas obedece; não mata ninguém, mas morre Ele mesmo por todos; o que importa não é ser servido, mas tornar-se servidor.
Pilatos mostra a todos o homem, o rei derrotado, coroado de espinhos... Jesus já tinha proclamado a sua identidade e o seu Evangelho varias vezes. Quem queria compreender compreendeu. Agora, Jesus está ali, diante de todos, espera em silêncio. Cada um deve dar a sua resposta pessoal, fazer a sua escolha de vida: optar pelo caminho fácil do poder e das riquezas, ou triunfar fazendo-se discípulo humilde e pobre de um rei derrotado, crucificado e ressuscitado. Por amor!. Seguir os passos de um rei derrotado pode parecer um projecto sem futuro, mas a verdade é que no Reino de Deus não existe a derrota! Assim o repetiu recentemente o Papa no seu discurso aos bispos da Suíça, comentando de forma ampla e criativa a parábola dos convidados ao grande banquete (cf. Lc 14,15-24). Apesar das contínuas recusas por parte da liberdade humana, Deus não se deixa vencer. Ele encontra sempre novos caminhos para realizar o seu plano de salvação para toda a família humana.
Nesta obra de salvação, Ele deseja a colaboração de muitos amigos dispostos a comprometerem-se na missão no mundo inteiro. Ao lado do trabalho quotidiano, capilar e escondido dos missionários e missionaras há sempre muitas outras iniciativas que dão visibilidade à obra de evangelização. Alguns exemplos: em Outubro celebrou-se na Tailândia o primeiro Congresso Missionário da Ásia. Há uma semana, concluia-se em Ouagadougou (Burkina Faso) o 1º Congresso Missionário da África Ocidental, a pouca distância do próximo Congresso Missionário Africano, que terá lugar em Dar-es-Salaam (Tanzânia). E acaba de se celebrar em Roma (16-20 de Novembro) o convénio internacional “Europa Terra de Missão”. No Brasil abre-se (hoje, na festa de Cristo Rei) a “Campanha da Evangelização 2006”, para o tempo do Advento, com o tema “Discípulos e Missionários”. Estas são apenas algumas das iniciativas continentais que, mesmo se limitadas, servem para renovar o zelo missionário pelo Reino de Deus.
Palavra do Papa “Deus não se deixa vencer. Ou, mais exactamente, deixa-se sempre vencer, permite ao homem de exercitar a sua liberdade, e esta diz continuamente ‘não’. Mas a imaginação de Deus, a força criadora do seu amor, é maior do que o ‘não’ humano... Deus ultrapassa o hebraísmo e abraça o mundo inteiro para o reunir no banquete dos pobres... A sala vazia torna-se uma oportunidade para chamar um número maior de pessoas. A amor de Deus, o convite de Deus alarga-se... A Igreja dos pagãos há-de formar-se. E formou-se, e continua a formar-se... Deus não se deixa vencer, nem hoje. Mesmo se experimentamos tantos ‘não’, podemos ter a certeza... Neste nosso tempo, bem conhecemos o ‘não’ daqueles que foram os primeiros convidados. De facto, a cristandade ocidental, isto é, os novos ‘primeiros convidados’, agora em grande parte desdizem, não têm tempo para vir à casa do Senhor. Conhecemos as igrejas que ficam cada vez mais vazias, e os seminários que se vão esvaziando, as casas religiosas sempre mais desertas; bem conhecemos todas as formas que assume hoje este ‘não, tenho coisas mais importantes a fazer’. E ficamos assustados, desorientados ... Mas Ele não se deixa vencer. Hoje, mais uma vez, encontrará novas vias para chamar os homens e quer ter-nos a nós consigo como seus mensageiros e seus servidores”. Bento XVI Homilia na Missa com os Bispos da Suíça, em Roma, 7.XI.2006
Nas pegadas dos missionários - 26/11: S. Leonardo de Porto Maurício (1676-1751), sacerdote franciscano, itinerante, dedicado às missões populares. Foi o ‘inventor’ da Via Sacra. - 26/11: B. Tiago Alberione (1884-1971), fundador da Família Paulina (uma dezena de instituições), para uma presença do Evangelho nos meios de comunicação social e para a promoção das vocações. - 26/11: Memória do Card. Carlos Lavigerie (1825-1892), bispo de Alger, fundador dos Missionários da África (Padres Brancos). - 29/11 e dias seguintes: Bb. Eduardo Burden (+1588), Jorge Errington (+1596) e companheiros; S. Cutberto Mayne (+1577), Ss. Edmundo Campion (+1581) e companheiros; B. Ricardo Langley (+1586) e muitos outros sacerdotes e leigos martirizados na Inglaterra sob a rainha Isabel I. - 29/11: Bb. Dionísio Berthelot e Redento Rodríguez, religiosos carmelitas, feitos escravos e martirizados pelos muçulmanos (+1638) em Aceh (Sumatra, Indonésia). - 30/11: S. André, apóstolo, irmão de Simão Pedro. Pregou o Evangelho na Grécia, onde morreu crucificado. - 1/12: B. Clementina Anuarite Nengapeta (1940-1964), religiosa da R. d. Congo, morta em Isiro durante a rebelião dos Simba; é mártir da caridade e do perdão. - 1/12: B. Carlos de Foucauld (1858-1916), sacerdote, morto em Tamanrasset, no deserto algerino, por um bando de salteadores; é testemunha de amor à Eucaristia, à missão e ao diálogo. - 1/12: Dia Internacional da luta contra a SIDA (instituído pela ONU-OMS). - 2/12: B. Liduina Meneguzzi (1901-1941), religiosa das Salésias de Pádua, missionária, morta em Dire Dawa, na Etiópia.
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Coordenação de: P. Romeo Ballan, mcci - Director emérito do CIAM, Roma Tradução de P. Fernando Domingues, mccj – Pont. Collegio Urbano, Roma Sito Web: www.ciam.org “Palavra para a Missão” ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ |