|
PALAVRA PARA A MISSÃO O EUNTES.NET propõe, semanalmente, a leigos, religiosas e sacerdotes um caminho de reflexão sobre a liturgia dominical em chave missionária. Oferecem-se elementos para uma meditação missionária, pessoal ou comunitária, sobre a Palavra de Deus que, de modo constante e surpreendente continua a iluminar, reforçar e sustentar o caminho missionário da Igreja, para a vida do mundo.
|
Anunciar um “Deus na Cruz”. Por todos!
Domingo
de Ramos
Isaías
50,4-7 Mateus 26,14-27,66: Evangelho da Paixão
As respostas à pergunta inicial, encontramo-las de maneiras diversas durante esta Semana especial. Uma primeira resposta é o próprio Jesus a dá-la, provocado pelo pedido dos gregos: Ele é o grão de trigo, que cai à terra e morre para produzir muito fruto (cfr Jo 12,24); Ele é o Mestre que convida todos a segui-Lo para partilhar a sua sorte (cfr. Jo 12,26); é o Senhor que pode dizer: “Eu, quando serei elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). O destino universal da sua morte na cruz, elevado da terra, é claramente indicado também nas variantes dos códices antigos: atrairei ‘tudo’, ‘todos os homens’, ‘todo o homem’ ... A sua salvação é oferecida, como dom, por todos aqueles que, com coração sincero, “hão-de olhar para aquele que trespassaram” (Jo 19,37), isto é, por aqueles que com fé compaixão e amor olham para Cristo elevado sobre a cruz (cfr. Num 21,8; Zac 12,10). Esta é a situação surpreendente do centurião romano e dos outros soldados pagãos que, à vista daquilo que sucedia, diziam: “Verdadeiramente este era Filho de Deus!” (Mt 27,54). “Jesus é verdadeiramente o Filho de Deus, precisamente porque permaneceu sobre a cruz, em vez de descer (Cfr Mt 27,40.42); e enquanto os judeus o recusam, os pagãos reconhecem-no. Os pagãos vêem o que os judeus não conseguem ver” (Bruno Maggioni).
A chave para compreender quem é este Filho de Deus, que se faz grão de trigo, que morre na Cruz para atrair todos a si, é nos oferecida pelo evangelista João na última Ceia de Jesus com os seus discípulos: “Amou-os até ai fim” (Jo 13,1). É a declaração de um amor extremo, universal no espaço e no tempo. Palavras que convidam a viver a Semana Santa com um respiro universal, contemplando e anunciando um Deus na cruz por todos. S. Daniel Comboni tinha compreendido bem quanto era necessário que os seus missionários se formassem nesta contemplação, e recomendava na sua Regra: “Hão-de crescer nesta atitude essencialíssima (espírito de sacrifício) tendo os olhos sempre fixos em Jesus Cristo, amando-o ternamente, e procurando compreender cada vez melhor o que significa um Deus morto na cruz pela salvação das almas”. (Escritos, n.2721)
A longa narração (Evangelho) da condenação e execução de um inocente vai muito mais além da crónica: contém a ‘Boa Nova’ de Cristo Salvador, morto e ressuscitado, que os missionários da Igreja levam por toda a parte no mundo inteiro. Deste núcleo central do Evangelho, derivam escolhas e atitudes fundamentais para os discípulos. Citamos uma entre tantas: a recusa da violência e do uso das armas, como Jesus ensina a Pedro: “Repõe a espada na bainha, porque todos aqueles que usam a espada, de espada morrerão” (v. 52). Uma palavra emblemática para os cristãos que já o apologista Tertuliano (III sec.) comentava assim: “Desarmando Pedro, Jesus tirou as armas das mãos de todos os soldados”.
O cântico do Servo (I leitura) e sobretudo o hino cristológico da Carta aos Filipenses (II leitura) cantam o ciclo completo daquele Deus-homem na cruz: a preexistência divina, o esvaziamento de si mesmo, a humilhação até à cruz, a glorificação com o nome de Senhor, perante o qual todos são convidados à adoração, “para a glória de Deus Pai” (v. 11). A glória do Pai é a meta para a qual tende toda a acção missionária da Igreja. Além da obediência filial, o hino de Filipenses “mostra também o aspecto da solidariedade com os irmãos: Cristo tornou-se semelhante aos homens, assumiu a nossa condição humilde; mais ainda, fez-se solidária com as pessoas mais criminosas, com os condenados à morte de cruz” (A. Vanhoye).
A mensagem da Paixão, mesmo se permanece sempre uma estrada em subida, consegue realizar o prodígio de transformar o coração e a vida das pessoas, como oportunamente afirma o Papa. De facto, diante da paixão de Jesus, ninguém pode ser um mero espectador. Todos são actores, desempenham um papel, hoje, na Paixão que Jesus continua a viver no seu Corpo místico, na família humana. Deixando de lado os papéis dos personagens negativos (Judas, Pilatos, os chefes dos sacerdotes, o sinédrio, a multidão que se deixa manipular...), podemos escolher o papel de Simão de Cirene (v. 32), da mulher de Pilatos (v. 19), do centurião (v.54), das pias mulheres, Madalena, Maria, de João, José de Arimateia, Nicodemos... O papel mais apropriado ao cristão, e em particular ao missionário, é o do Cireneu, solidário com os crucificados da história, portador da salvação realizada por Jesus.
Palavra
do Papa
Bento XVI Homilia no Domingo de Ramos, 1.4.2007
Nas pegadas dos missionários - 17/3: S. Patrício (385-461), nascido na Inglaterra, foi o grande missionário e evangelizador da Irlanda; foi bispo de Armah e é padroeiro da Irlanda. - 18/3: S. Cirilo de Jerusalém (+386), conhecido pelas suas catequeses; foi várias vezes perseguido pelos arianos. - 19/3: S. José, homem “justo” (Mt 1,19), esposo da B.V. Maria, Padre adoptivo de Jesus, Padroeiro da Igreja Universal. (Este ano, a festa litúrgica foi antecipada ao dia 15 de Março). - 20/3: B. Francisco Palau Y Quer (1811- 1872), sacerdote dos carmelitas descalços; foi vítima de várias perseguições, fundador, dedicou-se às missões populares. - Quinta feira santa. - 21/3/: (Primavera no hemisfério norte): Dia internacional para a eliminação da discriminação racial. - Sexta feira santa. - 22/3: Dia mundial da Água, instituído pela ONU (1993). - Sábado santo.
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Coordenação de: P. Romeo Ballan – Missionários Combonianos (Verona) Sito Web: www.euntes.net “Palavra para a Missão” ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
|