PALAVRA PARA A MISSÃO
Notas de reflexão missionária sobre a liturgia dominical

O CIAM propõe, semanalmente, a leigos, religiosas e sacerdotes um caminho de reflexão sobre a liturgia dominical em chave missionária. Oferecem-se elementos para uma meditação missionária, pessoal ou comunitária, sobre a Palavra de Deus que, de modo constante e surpreendente continua a iluminar, reforçar e sustentar o caminho missionário da Igreja, para a vida do mundo.

 


Páscoa com o “coração grande como o mundo”



 

VI Domingo da Quaresma - Ramos

Ano C – 1..4.2007

Lucas  19,28-40

Isaías  50,4-7

Salmo  21

Filipenses  2,6-11

Lucas  22,14 – 23,56

 

Reflexões

Alguns testemunhos do mundo missionário são uma ajuda segura que podemos utilizar para compreender e celebrar bem o mistério Pascal nesta Semana Santa. A palavra deles nasce da experiência pessoal de identificação com Cristo morto e ressuscitado. Por isso, tais testemunhos têm uma ressonância universal: ajudam-nos a viver a Páscoa seguindo a largura e a profundidade que tinham originariamente, no coração de Cristo.

 

Sempre com os olhos fixos em Jesus Cristo

S. Daniel Comboni, no Regulamento para o seu Instituto, recomendava aos futuros missionários que se formassem no necessário “Espírito de Sacrifício”, contemplando com amor a Cristo crucificado:

«O pensamento sempre dirigido ao grande fim da vocação apostólica deve desenvolver o espírito de sacrifício nos alunos do Instituto. Hão-de cultivar esta cultivar esta disposição essencialíssima conservando os olhos sempre fixos em Jesus Cristo, amando-o ternamente, e procurando entender cada vez melhor o que significa um Deus morta na cruz pela salvação das almas. Se contemplarem com fé viva, saboreando este grande mistério de amor, ficarão contentes de se poderem oferecer para perder tudo , e para morrer por Ele, e com Ele» (Dos Escritos de S. Daniel Comboni, n. 2720-2722).

 

“Tenho sede!”

A dedicação total da Beata Madre Teresa de Calcutá à causa missionária teve origem na contemplação das palavras de Jesus na cruz: Tenho sede! A atenção aos que são os últimos na escala social nascia nela a partir do desejo de saciar a sede de Cristo.

« ‘Tenho sede!’ Disse Jesus quando, na cruz, se encontrava privado de qualquer consolação. Renovai o vosso zelo para saciar a sua sede no rosto doloroso dos mais pobres entre os pobres: ‘A mim o fizestes’. Não separeis jamais estas palavras de Jesus: ‘Tenho sede’ e ‘a mim o fizestes’.

(Dos Escritos de Madre Teresa de Calcutá).

 

 

Celebrar a Páscoa com um coração grande como o mundo.

Tal é o ensinamento de Mons. Óscar Romero, arcebispo de São Salvador, assassinado enquanto celebrava a Eucaristia na tarde de 24 de Março de 1980.

«Celebra a Páscoa somente quem sabe amar, perdoar, aproveitar a força maior que Deus colocou no coração de cada pessoa: o amor. A Igreja sente que o seu coração é como o de Maria, grande como o mundo, sem inimigos, sem ressentimentos.»

 (Das catequeses de Mons. Romero, na Semana Santa 1978).

 

 

A palavra do Papa: a força para transformar o mundo

 «A ressurreição não passou, a ressurreição alcançou-nos e agarrou-nos. A ela, isto é, ao Senhor ressuscitado nos agarramos, sabendo que Ele nos segura firmemente, mesmo quando as nossas mãos se debilitam. Agarramo-nos à sua mão, e assim seguramos também as mãos uns dos outros, tornamo-nos um único sujeito, não apenas um só. Eu, mas já não eu (cfr Gal 2,20): tal é a fórmula da existência cristã fundada no Baptismo, a fórmula da ressurreição dentro do tempo. Eu, mas já não eu: se vivemos deste modo, transformamos o mundo. É a fórmula que contrasta todas as ideologias da violência, e o programa que se opõe à corrupção e à ambição do poder e do possuir».

Bento XVI

Homilia na Vigília Pascal, 15.4.2006

 

 

Nas pegadas dos missionários

- 1/4: B. Lodovico Pavoni (1784-1848), sacerdote de Brescia, pioneiro no campo social, fundador, dedicou-se à educação humana, cristã e profissional dos jovens – Domingo de Ramos.

- 2/4: S. Francisco de Paola (1416-1507), eremita de vida austera, fundador da Ordem dos Mínimos.

- 2/4: Bb. Diogo Luís de S. Vitores (1627-1672), sacerdote jesuíta espanhol, e Pedro Calungsod (1654-1672), nascido nas Filipinas, catequista leigo; ambos foram mortos por ódio à fé cristã e atirados ao mar na ilha de Guam (Marianas, Oceânia).

- 2/4: B. Maria Laura Alvarado (1875-1967), nasceu e vive una Venezuela, fundadora, dedicou-se aos órfãos, aos idosos e aos pobres.

- 4/4: S. Isidro (ca. 570-636), bispo de Sevilha e doutor da Igreja, um grande talento nas ciências e na organização, reconhecido como o última Padre da Igreja latina.

- 4/4: S. Benedito Massarari, chamado o ‘Negro’, descendente de escravos africanos (Sicília, 1526-1589), religioso franciscano, o primeiro africano negro  a ser canonizado (1743). Co-Padroeiro de Palermo.

- 4/4: Memória de Martin Luther King (n. Atlanta, USA, 1929): líder dos direitos civis, da integração racial e da “não-violência activa”, Prémio Nobel da Paz (1964), assassinado em Menfis a 4/4/1968.

- 5/4: S. Vincente Ferrer (1350-1419), sacerdote dominicano espanhol, um dos maiores pregadores e missionários itinerantes na Europa Ocidental.

- 7/4: S. João Batista de Lassale (1651-1719), educador, fundador dos Irmãos da Escolas Cristãs; Pio XII (1950) proclamou-o padroeiro especial de todos os professores.

- 7/4: Dia Mundial da Saúde, organizado pela ONU-OMS.

- 8/4: Páscoa, na Ressurreição de Jesus Cristo, Salvador de todos os povos.

 

Na alegria de Cristo Ressuscitado,

Feliz Páscoa a todos!

 

Fazemos uma breve ‘pausa pascal’ e voltaremos para o Domingo 22 de Abril


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A cura di: P. Romeo Ballan, mcci - Direttore emerito del CIAM, Roma

Sito Web: www.ciam.org     “Parola per la Missione”

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