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PALAVRA PARA A MISSÃO O EUNTES.NET propõe, semanalmente, a leigos, religiosas e sacerdotes um caminho de reflexão sobre a liturgia dominical em chave missionária. Oferecem-se elementos para uma meditação missionária, pessoal ou comunitária, sobre a Palavra de Deus que, de modo constante e surpreendente continua a iluminar, reforçar e sustentar o caminho missionário da Igreja, para a vida do mundo.
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As tentações de Jesus e do missionário
I
Domingo de Quaresma
Génesis
2,7-9; 3,1-7
As tentações de Jesus (Evangelho) são uma forma de epifania, ou manifestação da sua personalidade espiritual. Junto com as Bem aventuranças, também as tentações são elementos autobiográficos que ajudam a compreender o personagem Jesus: as suas preferências, critérios, escolhas, renuncias, métodos... O jardim do Éden (I leitura) e o deserto (Evangelho) são dois cenários repletos de presença divina: é no jardim que “o Senhor Deus formou o homem com o pó da terra”, fazendo-o “um ser vivente” (v.7); e é ao deserto que o Espírito conduziu Jesus “para ser tentado pelo demónio” (v. 1). Com a sua astúcia, o tentador tinha conseguido obter alguns resultados na queda do primeiro Adão, mas, assim assegura S. Paulo (II leitura), a resposta de Deus foi mais forte, com a graça de Cristo, o novo Adão, oferecida “com abundância a todos” (v. 15).
Há quem, por falsa misericórdia ou pudor, tende a desvalorizar a importância das tentações com as quais Jesus teve que se confrontar; consideram-nas indignas ou impossíveis para o filho de Deus. Pelo contrario, elas foram, para Jesus, tentações verdadeiras, não um fazer de conta; verdadeiras provações, como o são também para o cristão e para a Igreja. “Se Cristo não tivesse vivido a tentação como verdadeira tentação, se a tentação não tivesse tido nenhum significado verdadeiro para ele, homem e messias, a sua resposta não poderia ser um exemplo para nós, por que nada teria a ver com a nossa. Será exemplar só quando, tendo enfrentado realmente a tentação, Ele a terá superado na sua própria vida. Não nos interessa uma comédia ou um exercício estilístico!” (Duquoc). Jesus foi tentado em tudo, como nós, excluso o pecado; por isso pode vir em auxílio de quem está na provação (cfr Heb 2, 18; 4, 15). Jesus interrogou-se verdadeiramente sobre as alternativas possíveis de método e de caminho para realizar a sua missão de Messias. As vias possíveis eram pelo menos três: o lucro, o prestígio, o poder. As três tinham um denominador comum: a instrumentalização das coisas, de Deus e do homem. Cada uma das três tentações representa um modelo de messias: -1. um “reformador social” (ou seja, o lucro: mudar as pedras em pão para si e para todos teria garantido o sucesso popular); 2. um “messias milagroso” (o prestígio: um gesto clamoroso, mesmo se manipulava a Deus, teria assegurado a espectacularidade); 3. um “messias do poder”, (o poder: baseado sobre o domínio do mundo).
São três os modelos de messias - falsos, ou pelo menos equívocos - que ameaçam também a missão dos discípulos e da Igreja de todos os tempos e lugares. Por vezes acreditava-se que o poder, o dinheiro, o domínio, o super activismo, a presumida superioridade étnica ou cultural... fossem vias evangélicas ou apostólicas. Para o missionário, estas são tentações permanentes. Cheio da força do Espírito, Jesus supera as tentações: opta pela Palavra de Deus como o único alimento capaz de saciar totalmente o coração da pessoa humana (v. 4); confia totalmente no Pai e no seu plano (v. 7); prefere respeitar o primado de Deus, o único digno de receber a nossa adoração reverente (v. 10). São estes também os objectivos da prática quaresmal do jejum, da oração e da esmola. Se estas práticas forem vividas em espírito de partilha e de missão, contribuirão muito para aquela moderação e sobriedade que são via indispensável para a salvação da humanidade. As tentações de Jesus eram “três atalhos para não passar pela cruz” (Fulton Sheen), mas Jesus aceita a cruz, com amor, morrerá perdoando. Assim venceu! Assim nos salvou!
Palavra do Papa “Não se pode dizer que a globalização seja sinónimo de ordem mundial, ao contrário. Os conflitos pela supremacia económica e pelo monopólio dos recursos energéticos, hídricos e das matérias-primas tornam difícil o trabalho de quantos, a todos os níveis, se esforçam por construir um mundo justo e solidário. Há necessidade de uma esperança maior, que permita preferir o bem comum de todos ao luxo de poucos e à miséria de muitos (cf Spe salvi, n. 31)... Se há uma grande esperança, pode-se preservar na sobriedade. Se falta a verdadeira esperança, procura-se a felicidade no êxtase, no supérfluo, nos excessos, e arruína-se a si mesmo e ao mundo. A moderação não é então só uma regra ascética, mas também um caminho de salvação para a humanidade. Já é evidente que só adoptando um estilo de vida sóbrio, acompanhado do compromisso sério por uma distribuição equitativa das riquezas, será possível instaurar uma ordem de desenvolvimento justo e sustentável. Por isso, há necessidade de homens que tenham grande esperança e possuam muita coragem”.
Bento XVI Homilia na Epifania do Senhor, 6.1.2008
Nas pegadas dos missionários - 10/2: B. Luís Stepinac (1898-1960), arcebispo de Zagred (Croácia), defensor da fé, da liberdade religiosa e da dignidade humana durante o regime comunista na Jugoslávia. - 10/2: Memória da morte do Papa Pio XI (Achille Ratti, +1939), que deu um grande impulso à actividade missionária, com numerosas iniciativas e documentos importantes. - 11/2: Nossa Senhora de Lurdes (aparições em 1858). - XV Dia Mundial do Doente. - 12/2: S. Saturnino, sacerdote, e 48 leigos norte africanos mártires (+304, na Abitínia, Cartago), que declararam diante do Cônsul romano: “Sem o Domingo, não podemos viver”. - 14/2: Ss. Cirilo, monge (+Roma 869), e Metódio, bispo (+885), irmãos, nascidos em Salónica; tornaram-se evangelizadores dos povos eslavos e danubianos. São co-padroeiros da Europa. - 15/2: S. Cláudio La Colombière (1641-1682), sacerdote jesuíta francês, promotor da devoção ao Coração de Cristo. - 15/2: Memória do P. José de Acosta (+1600), missionário Jesuíta espanhol no Peru, estudioso e defensor da cultura indígena; teve um papel importante no III Concílio de Lima (1582-1583). - 16/2: B. José Allamano (1851–1926), sacerdote italiano, fundador dos Missionários e das Missionárias da Consolata (Santuário de Turim, Itália).
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Coordenação de: P. Romeo Ballan – Missionários Combonianos (Verona) Sito Web: www.euntes.net “Palava para a Missão” ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
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