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PALAVRA PARA A MISSÃO O EUNTES.NET propõe, semanalmente, a leigos, religiosas e sacerdotes um caminho de reflexão sobre a liturgia dominical em chave missionária. Oferecem-se elementos para uma meditação missionária, pessoal ou comunitária, sobre a Palavra de Deus que, de modo constante e surpreendente continua a iluminar, reforçar e sustentar o caminho missionário da Igreja, para a vida do mundo.
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O cego de nascença: vede, acredita, anuncia
IV
Domingo da Quaresma
1Samuel
16,1.4.6-7.10-13
O cego avança, gradualmente, para a descoberta do rosto-identidade de Jesus: de simples homem, a profeta, homem de Deus, Senhor... até se prostrar com fé: “Creio, Senhor!” (v.38). O cego já chegou à conversão: todo iluminado, no corpo e no espírito. Enquanto o cego progride na descoberta de Jesus, os fariseus, ao contrário, fecham-se cada vez mais à luz, não acreditam no testemunho do cego curado, reduzem-no ao silêncio e atiram-no para fora (v.34). A obstinação do coração conduz à cegueira interior. Infelizmente, a fé também se pode perder! Só quem aceita que a verdade lhe transforme a vida não terá medo da luz, do amor, do serviço... Vale a este propósito, o voto de S. Agostinho, bonito mesmo em latim: “Servum te faciat caritas, quia liberum te fecit vertias” = a caridade te faça servo, pois que a verdade de fez livre.
“Mais luz!”: foram as últimas palavra de Johann W. Göthe. Jesus, com a palavra e o sinal, traz a luz nova que esclarece mesmo a realidade do pecado presente no mundo. O pecado é aquela vasta zona obscura, em que vivem as pessoas ainda não iluminadas pelo Evangelho. Nessa zona obscura não se entende o sentido da doença, da dor, da desgraça, males que frequentemente estão ligados a pecados pessoais. Emblemática a este propósito é a história de Job. Os próprios apóstolos são um bom exemplo desta mentalidade: ao verem o cego de nascença, perguntam ao Mestre: “Quem pecou, ele ou os seus pais?” (v.2). Este é um esquema tipicamente pré-cristão do problema do sofrimento: identificar a dor ou a doença com o pecado, com o mau olhado, o malefício, o mau agoiro de alguém... É uma mentalidade muito espalhada, mesmo em ambientes cristãos, típica de pessoas ainda insuficientemente evangelizadas. Penso nos meus anos de trabalho missionário na R. Dem. do Congo, onde os problemas e o medo do ndoki (em língua lingala, o mau olhado e coisas semelhantes) estavam sempre na ordem do dia: muitos cristãos, incluídos alguns catequistas, ainda não se tinham libertado disso completamente. Também na América Latina e na Europa tenho visto situações semelhantes. Toca-se com a mão o facto que o paganismo (com as suas extensões) é sinónimo de treva, medo, vingança, manobras tenebrosas ... que serpenteiam abundantemente também entre os cristãos, de todas as latitudes. O coração humano nunca se converte completamente. A acção missionária da Igreja não se contenta com uma evangelização superficial, mas deve apontar ao coração das pessoas e aos valores das culturas, como bem ensina Paulo VI.
É possível sair desta mentalidade paganizante somente fazendo um caminho de conversão permanente, aceitando interiormente e até ao fim a Cristo que disse: “Eu sou a luz do mundo” (v. 5), “a verdade vos fará livres” (Jo 8, 32). É a exortação clara de S. Paulo (II leitura) a comportar-se como filhos da luz (v.8; cfr Mt 5,14), a não participar nas obras infrutuosas e vergonhosas das trevas (v. 11-12), mas a olhar para Cristo: “Desperta ... e Cristo te iluminará” (v. 14). Cristo é a luz, é Ele o Enviado (v. 7) do Pai, o banho no qual nos imergimos com o baptismo.
A luz de Cristo ajuda a entender o sentido da doença e da dor, como se aprende com o testemunho paciente e silencioso de tantas pessoas doentes, mas interiormente serenas. A fé é uma luz nova que permite colher a mensagem de vida presente na dor, a oportunidade de purificação e de salvação, para si e para os outros. A fé leva a confiar em Deus, o Pastor que nos guia nos caminho seguros (Salmo responsorial). Ele tem vias e critérios diferentes dos nossos (I leitura): “o Senhor vê o coração” (v. 7) das pessoas, como se vê na escolha de David. Era o mais pequeno, um pastor (cfr Lc 2,8), mas Deus faz dele um rei. Os critérios de Deus são surpreendentes: cura o cego, um mendigo (v. 8), um expulso (v. 34), revela-se a ele, faz dele um crente, uma testemunha, um anunciador convicto (v. 30-33). Como tinha feito com a Samaritana (cfr. Domingo passado). Deus surpreende-nos: prefere escolher os últimos para fazer crescer o seu Reino no mundo.
Palavra
do Papa Paulo VI Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (1975), n. 18.19.20
Nas pegadas dos missionários - 3/3: BB. Liberato Weiss, Samuele Marzorati e Michele Pio Fasoli da Zerbo, sacerdotes franciscanos, lapidados até ao martírio (+1716) em Gondar (Etiópia). - 3/3: S. Catarina Drexel (morta em Filadélfia, USA, 1955), fundadora ; ofereceu a sua rica herança em favor dos indígenas e dos afro-americanos, abrindo e sustentando para eles umas sessenta escolas e missões. - 6/3: S. Ollegario de Tarragona (Espanha, 1137), bispo de Barcelona, que foi também bispo de Tarragona, quando esta antiga sede foi libertada do domínio dos Mouros. - 7/3: SS. Perpétua e Felicidade, mártires de Cartago (+203), sob o imperador Septímio Severo. - 8/3: S. João de Deus (1495-1550), religioso português, fundador da ordem dos Irmãos de S. João de Deus; protector dos hospitais, padroeiro dos doentes e dos enfermeiros. - 8/3: Dia Internacional da Mulher (instituído em 1910, tornou-se Dia ONU em 1975).
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Coordenação de: P. Romeo Ballan – Missionários Combonianos (Verona) Sito Web: www.euntes.net “Palava para a Missão” ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
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