PALAVRA PARA A MISSÃO
Notas de reflexão missionária sobre a liturgia dominical

O CIAM propõe, semanalmente, a leigos, religiosas e sacerdotes um caminho de reflexão sobre a liturgia dominical em chave missionária. Oferecem-se elementos para uma meditação missionária, pessoal ou comunitária, sobre a Palavra de Deus que, de modo constante e surpreendente continua a iluminar, reforçar e sustentar o caminho missionário da Igreja, para a vida do mundo.

 


A festa está só começar... Vinde todos!



 

IV Domingo de Quaresma

Ano C - 18.03.2007

Josué  5,9a.10-12

Salmo  33

2Coríntios  5,17-21

Lucas  15,1-3.11-32

 

Reflexões

“A festa na casa do Pai ainda está só a começar... Vinde todos!” È o convite de Jesus (Evangelho), para explicar o amor sem limites de Deus pai e mãe, com a página maravilhosa conhecida como a “parábola do filho pródigo”. Um título parcial, enquanto tem em conta só o filho mais novo e esquece o mais velho, que é igualmente, ou ainda mais merecedor de repreensão. Um título mais apropriado seria: “parábola do pai misericordioso”, enquanto que é Ele o protagonista, e seu amor está ao centro de toda a história. O livro de Lucas já e conhecido como o “Evangelho da misericórdia”, o capítulo 15 (com três parábolas) pode ser definido como “ um evangelho no Evangelho”, a boa nova por excelência.

 

Sobre esta parábola, já muito conhecida e comentada, basta sublinhar alguns aspectos. Muito oportunamente, o texto evangélico escolhido para a leitura litúrgica de hoje inclui as primeiras linhas do capítulo 15, onde podemos ver o contexto, da parábola, com Jesus que acolhe os publicanos, pecadores, e come com eles; e aparecem também os destinatários, os fariseus e os escribas que murmuram (v. 1-3); os destinatários aparecerão de novo ao fim, no personagem do irmão mais velho.

 

Convém sublinhar os cinco verbos, que Lucas usa para descrever o amor efusivo do papá pelo seu filho que regressa: “viu-o (de longe) e, comovido, correu-lhe ao encontro, atirou-se-lhe ao pescoço e beijou-o” (v. 20). Seguem as ordens que o pai dá para confirmar a plena reabilitação do filho reencontrado: a roupa mais bela (assinala a dignidade na família), o anel no dedo (o poder), as sandálias nos pés (sinal do homem livre). E depois, a grande festa para todos (v. 22-23). Parece ser mesmo a festa o elemento que mais aborrece o filho mais velho que regressava dos campos (v. 25-26). O pai sai para o convencer e lhe explicar o porquê de tanta alegria: era preciso festejar, regressou o teu irmão! (v.32)

 

Em cada um de nós, convivem dois irmãos, o mais novo e o mais velho, ambos com atitudes reprováveis e a precisar de conversão. Para Jesus, a meta e o ideal ao qual é preciso converter-se é o Pai misericordioso: acolhe todos sem restrições, perdoa gratuitamente, quer que todos vivam na sua casa. Sobre este caminho de conversão, Henry J.M. Nouwen escreveu um livrito estupendo de meditações – ‘O Regresso do Filho pródigo’ – partindo do famoso quadro de Rembrandt. Eis uma das mensagens fortes: “O meu destino é ocupar o lugar do meu Pai para oferecer a todos a mesma misericórdia que ele me ofereceu. O regresso ao Pai é afinal, o desafio a tornar-se o Pai”.

 

A parábola de Jesus acaba em aberto, sem conclusão. Não sabemos se o filho mais velho entrou para a festa; não sabemos se o mais novo se deixou de decisões estúpidas; mas sabemos que naquela casa há lugar para todo e ainda há muitos lugares a ocupar...  Uma coisa é certa: sobre o amor do pai ninguém fica com dúvidas, nem filhos nem servidores! Agora todos sabem que não sua casa ele quer ter filhos, não servos; pessoas que partilham o seu projecto de amor, e não só as coisas a fazer (v. 31). Somente vivendo na casa to pai podemos encontrar vida e felicidade, porque ele deseja o nosso verdadeiro, a nossa realização, e nos ensina como e onde encontrá-la. Não somos nós, os criadores e arquitectos do nosso destino, como nos recordou o Papa Bento XVI ao início da Quaresma.

 

Na casa daquele pai bom inaugurou-se uma maneira nova de viver, não já como escravos, mas como filhos. Uma experiência semelhante à do povo de Israel (I leitura) que, depois de 40 anos de deserto, uma vez atravessado o rio Jordão, se preparava para tomar posse de uma terra fértil, a terra prometida. Toda a experiência boa se deve partilhar com os outros (II leitura). Quem fez experiência da bondade misericordiosa de Deus e com Ele começou a viver um relacionamento novo de filho e de amigo (v. 17), sente necessidade de envolver outros nessa mesma experiência de vida e de reconciliação (v. 18-19). A missão é isto mesmo! Frequentemente, porém, a acção dos missionários não é compreendida como serviço oferecido na gratuidade, permanece assim exposta a riscos e a falsas interpretações, pelo que, todos os anos, em contextos e circunstâncias vários um certo número de missionários caem vítimas da violência. Só no ano 2006 foram 24, um número relativamente baixo em relação à média dos últimos anos que é superior a 30. É digna de apoio a iniciativa de fazer memória deles cada ano, no Dia de oração e jejum pelos missionários mártires, o dia 24 de Março.

 

 

A palavra do Papa

 “O que é converter-se, na realidade? Converter-se significa procurar Deus, estar com Deus, seguir docilmente os ensinamentos do seu Filho, de Jesus Cristo; converter-se não é um esforço para se auto-realizar a si mesmo, porque o ser humano não é o arquitecto do próprio destino eterno. Não fomos nós que nos fizemos. Por isso a auto-realização é uma contradição e é também demasiado pouco para nós. Temos um destino mais nobre. Poderíamos dizer que a conversão consiste precisamente em não se considerar ‘criadores’ de si mesmos e assim descobrir a verdade, porque não somos autores de nós próprios. A conversão consiste em aceitar livremente e com amor de depender em tudo de Deus, o nosso verdadeiro Criador, de depender do amor. Esta não é uma dependência mas liberdade.

Converter-se significa então não perseguir o nosso sucesso pessoal, que é passageiro, mas, abandonando qualquer segurança humana, pôr-se com simplicidade e confiança no seguimento do Senhor”.

Bento XVI

Audiência geral ao início da Quaresma, Quarta feira de Cinzas, 21.2.2007

 

 

Nas pegadas dos missionários

- 18/3: S. Cirilo (+386), bispo de Jerusalém, conhecido pelas suas catequeses; foi perseguido com frequência pelos Arianos.

- 19/3: S. José, homem “justo” (Mt 1,19), esposo da B. V. Maria, pai putativo de Jesus, Patrono da Igreja universal..

- 20/3: B. Francisco Palau y Quer (1811.1872), sacerdote espanhol (Catalunha), da Ordem dos Carmelitas descalços; foi vítima de várias perseguições, fundador, dedicou-se às missões populares.

- 21/3: (Primavera no hemisfério norte): Dia Internacional para a eliminação da Discriminação Racial.

- 22/3: Dia Mundial da Água, instituído pela ONU (1993).

- 23/3: S. Turíbio Afonso de Mongrovejo (1538-1606), nascido em Espanha; era ainda leigo quando foi nomeado arcebispo de Lima (Peru); foi um incansável defensor dos índios. É padroeiro do Episcopado latino-americano.

- 24/3: Memória da morte de Mons. Óscar A. Romero (+1980), arcebispo de São Salvador (El Salvador). – Dia de Oração e Jejum pelos missionários mártires.


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A cura di: P. Romeo Ballan, mcci - Direttore emerito del CIAM, Roma

Sito Web: www.ciam.org     “Parola per la Missione”

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