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PALAVRA PARA A MISSÃO O CIAM propõe, semanalmente, a leigos, religiosas e sacerdotes um caminho de reflexão sobre a liturgia dominical em chave missionária. Oferecem-se elementos para uma meditação missionária, pessoal ou comunitária, sobre a Palavra de Deus que, de modo constante e surpreendente continua a iluminar, reforçar e sustentar o caminho missionário da Igreja, para a vida do mundo.
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O
amor: da
Trindade à missão
Domingo da Santíssima Trindade Ano B - 11.6.2005
Deuteronómio 4,32-34.39-40 Salmo 32 Romanos 8,14-17 Mateus 28,16-20
Reflexões Com uma certa facilidade, os manuais de catecismo sintetizam o mistério de Deus dizendo que “Deus é um só em três pessoas”. Com estas palavras tudo fica já dito, mas é preciso depois compreender e acolher tal mistério com amor, e sobretudo adorá-lo na contemplação. Do ponto de vista missionário, este tema tem uma importância central. É fácil dizer que todos os povos - mesmo os não cristãos - sabem que Deus existe, e que também os ‘pagãos’ crêem em Deus. Esta verdade aceite - mesmo se de maneiras diferentes e com algumas reservas - é a base que torna possível o diálogo entre as religiões, e em particular o diálogo entre os cristãos e os seguidores de outras tradições religiosas. Partindo da base que é um Deus comum a todos, é possível tecer entendimento entre os povos em vista de acções comuns em favor da paz, na defesa dos direitos humanos, para realizar juntos projectos de desenvolvimento. Mas esta é somente uma parte da missão evangelizadora da Igreja, que oferece ao mundo um Evangelho que tem conteúdos e objectivos de horizontes mais vastos.
Para um cristão, não basta aceitar a existência de um Deus único, e muito menos para um missionário consciente da extraordinária revelação recebida por meio de Jesus Cristo, revelação que abraço todo o mistério de Deus, na sua unidade e trindade. Para os cristãos, Deus é único, mas não é solitário. O Evangelho que o missionário leva ao mundo reforça e aperfeiçoa a compreensão que o monoteísmo tem de Deus, mas vai muito mais longe, abre ao imenso, surpreendente mistério de Deus que é uma comunhão de três pessoas.
“Para penetrar no mistério de Deus, os muçulmanos servem-se do santo Alcorão, no qual descobrem os 99 nomes de Alá; o centésimo não se pode dizer, porque significaria que o homem seria capaz de compreender toda a realidade de Deus. Os Hebreus descobrem o Senhor através dos acontecimentos da sua história de salvação, meditada, reescrita e relida ao longo dos séculos, antes de ser codificada, muito mais tarde, nos livros sagrados. Para os cristãos, o livro que nos guia à descoberta de Deus é Jesus Cristo. Ele ‘é o livro aberto a golpes de lança’, é o Filho que, desde a cruz, revela que Deus é Pai e dom de Amor, Vida, Espírito” (G. Armellini).
Um autor anónimo menciona o seguinte diálogo, simples e essencial, entre um muçulmano e um cristão. - Dizia um muçulmano: “Para nós, Deus é um; como poderia ter um filho?” - Respondia um cristão: “Para nós, Deus é amor: como poderia viver sozinho? Trata-se de uma forma estilizada de ‘diálogo inter religioso’, que manifesta uma verdade fundamental do Deus Cristão, capaz de enriquecer o monoteísmo hebraico, muçulmano e de outras religiões. De facto, o Deus revelado por Jesus é sobretudo um Deus-amor (cf. Gv. 3,16; 1Gv 4,8). É um Deus único, mas que se relaciona numa comunhão plena de pessoas. Um Deus que se oferece a si mesmo para dar vida à família humana.
Frequentemente vemos que Deus, na fé de outras religiões, é um ser que vive isolado, longe, e é preciso conquistar a sua benevolência oferecendo sacrifícios e realizando práticas religiosas de muitos tipos. Em vez disso, o Deus da Bíblia revela-se-nos sobretudo como uma Deus misericordioso e cheio de compaixão, “rico de misericórdia” (Ef 2,4); um Deus amigo e protector, que ama relacionar-se um Deus próximo (I leitura), que se compromete ao lado do seu povo com sinais e prodígios (v. 34). Não é um Deus invejoso e concorrente do homem, mas um Deus que quer que “tu sejas feliz, tu e os teus filhos” (v. 40). Mais ainda: É um Deus que nos chama a si, que nos convida a ser e nos faz seus filhos e herdeiros, dando-nos o seu Espírito (II leitura v. 16-17).
Este é o verdadeiro rosto de Deus que todos os povos (Evangelho) têm direito e necessidade de conhecer através dos missionários, segundo a ordem de Jesus: Ide, fazei discípulos, baptizai e ensinai... Por isso o Concílio afirma: “A Igreja peregrina é missionária pela sua própria natureza, enquanto tem a sua origem na missão do Filho e na missão dos Espírito Santo, segundo o projecto de Deus Pai” (Ad Gentes 2). O dom do Deus verdadeiro, uno e trino, é para todas as nações; é um tesouro que pode enriquecer todas as culturas, e que os cristãos têm o direito e o dever de partilhar com todos. Para realizar esta missão, Jesus comprometeu-se como Emanuel: “Eis que eu permaneço convosco todos os dias” (v. 20). Com esta certeza, a Igreja leva-nos hoje a rezar para que “nos tornemos anunciadores da salvação que é oferecida a todos os povos” (Oração inicial).
A palavra do Papa “Se a verdade da fé se coloca com simplicidade e com decisão ao centro da existência cristã, a vida das pessoas será penetrada e revitalizada com um amor que não tem fronteiras nem se cansa... A caridade, que parte to coração de Deus passando pelo coração de Cristo, derrama-se sobre o mundo mediante o seu Espírito, como um amor tudo renova”. Bento XVI Discurso à Congregação para a Doutrina da Fé, 10.2.2006
Nas pegadas dos Missionários - 11/6: S. Barnabé, apóstolo, estava entre os primeiros fiéis de Jerusalém, missionário na Antioquia, amigo e colaborador de S. Paulo, evangelizou Chipre. - 11/6: B. Inácio Maloyan (1869-1915), bispo de Mardine dos Arménios, e mártir, torturado e morto pelos turcos ao início do holocausto dos Armenos. - 12/6: B. Mercedes Maria de Jesus Molina (1828-1883), religiosa equatoriana, missionária entre os indígenas Jíbaros, fundadora, morreu em Riobamba (Equador). - 12/6: Dia Mundial contra o trabalho dos menores, instituído pelas Nações Unidas (2002). - 13/6: S. António da Lisboa/Pádua (1195-1231), sacerdote franciscano, doutos da Igreja, evangelizador eficaz na França e na Itália. - 15/6: B. Luís Maria Palazzolo (1827-1886), pregador de missões populares, fundados das “Irmãs dos pobres” para a educação, a assistência e para as missões. - 16/6: Beata Maria Teresa Scherer (1825-1888), religiosa suíça, co-fundadora das Irmãs da Caridade da Santa Cruz, que se difundiram rapidamente.
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Coordenação de: P. Romeo Ballan, mcci - Director emérito do CIAM, Roma Sito Web: www.ciam.org “Palavra para a Missão” ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ |